Segurança da informação deve ser a principal preocupação do Estado e das empresas na contratação do cloud computing
Nuvens públicas ou privadas: quando usar. As públicas oferecem menor custo, mas apresentam os maiores desafios de segurança, privacidade e interoperabilidade
Governo quer implementar projetos e serviços de e-gov na nuvem. Item segurança ainda é entrave
Empresas se adaptam às exigências de mercado do cloud computing
25 de agosto de 2010
Tema da Semana
Segurança da informação deve ser a principal preocupação do Estado e das empresas na contratação do cloud computing
Raphael Mandarino, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República

O mundo da tecnologia se reinventa a todo instante. Já houve a era dos grandes mainframes, dos micros potentes e agora é a era das redes, possibilitada pela evolução da web. O principal ativo nesta era é o cloud computing (computação em nuvem). O conceito consiste em armazenar dados em uma nuvem de computadores, a internet. Trata-se da utilização de recursos tecnológicos, por meio de uma rede privada (link dedicado) ou pública (internet), acessados remotamente. Hoje, os dados são salvos, por exemplo, no disco rígido do computador, localmente. Com o cloud computing, os arquivos, aplicações e etc, ficariam gravados nos servidores da internet, podendo, assim, acessá-los de qualquer lugar através de um dispositivo com acesso à internet.

As promessas são de que, em breve, o computador seja utilizado na web e disponha do espaço que for preciso para guardar arquivos, como documentos, fotos, vídeos e músicas na internet. Porém, como contraponto às facilidades proporcionadas pela tecnologia, aumenta-se também os riscos relacionados à confidencialidade e integridade das informações, disponibilidade dos dados, atendimento a regulamentos, leis etc. Este fato se agrava significativamente quando as informações dizem respeito às grandes empresas e governos.

Raphael Mandarino, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República disse que, assim como a segurança da informação encontra grandes desafios na computação tradicional, na computação em nuvem também é preciso estar atento a esta questão. “De modo simples, diria que os desafios são os mesmos. Basicamente temos de assegurar para nossas informações, no mínimo, o mnemônico “DICA” – Disponibilidade, Integridade, Confidencialidade e a Autenticidade -, não importa a tecnologia que adotemos. Claro que outras preocupações se impõem decorrente das soluções que adotemos, seja na computação tradicional ou em nuvem”.

“A tão conhecida terceirização dos serviços ou dos recursos humanos na área de informática já requer uma série de cuidados quanto à segurança da informação. Infelizmente, apesar de a terceirização ser uma prática comum de mercado, nem sempre os administradores atentam para os aspectos da segurança, por exemplo: conhecer a política de segurança do fornecedor e estabelecer parâmetros rígidos sobre os controles físicos, lógicos e sobre o pessoal que terá acesso aos seus sistemas e informações. Existem, portanto, riscos inerentes a computação em nuvem que devem ser avaliados por ocasião da contratação desta modalidade de serviço”, alerta Mandarino.

Serviços e riscos nas nuvens

O SaaS (Software como serviço), que é a utilização de softwares de vários tipos, como ERP, por exemplo, funciona da seguinte forma: a empresa usuária X deseja utilizar um ERP, mas não quer expandir seu hardware ou manter uma equipe interna para dar suporte à ferramenta. Então busca no mercado empresas que forneçam o SaaS e escolhe a empresa fornecedora Y, que possui a infraestrutura pronta e interliga a sua estrutura à da empresa contratante. Este modelo permite que a empresa usuária não precise saber onde fisicamente estão instalados os servidores que processam os seus dados, como acontece com os serviços de e-mail.

O grande problema dessa facilidade está relacionado ao sigilo, disponibilidade e segurança dos dados processados, afinal as empresas que contratam os serviços de cloud computing desejam, além de um serviço prestado com excelência e dentro dos níveis acordados, segurança dos seus dados. Como, então, se manter seguro dentro desse contexto virtual? Que questões devem ser pensadas antes da adoção das soluções de cloud computing pelos administradores públicos, por exemplo?

Neste caso, Raphael Mandarino diz que a melhor solução é ter cautela e análise do risco. “Acho que o primeiro e mais importante risco a ser evitado é o de se deixar levar pela abordagem meramente financeira. Os administradores públicos ou privados, principalmente os ligados às áreas financeiras, se encantam com a redução dos custos vislumbradas na adoção da contratação escalonável de estrutura e serviços permitidas pela computação em nuvem. Mas a questão não pode se limitar a isto. A segurança e a integridade das informações de um órgão público ou de uma empresa privada são de responsabilidade de seus administradores independente do modelo de gestão de sua armazenagem, seja ele terceirizado ou executado na própria instituição”.

Algumas questões, segundo Mandarino, devem ser analisadas previamente à contratação. “Conhecer o fornecedor e seus funcionários, em especial aqueles que terão acesso privilegiado a seus dados. Buscar saber que normas nacionais ou internacionais de segurança estes fornecedores se obrigam e a que certificações se submetem. Conhecer a localização física dos data-centers, tantos os de armazenagem primária dos dados como os utilizados para contingência (cópias de segurança) e assegurar-se de que as legislações dos países onde eles estão instalados atendem aos requisitos de privacidade e segurança (padrões criptográficos, por exemplo) que a empresa utiliza em suas informações. Estabelecer sob qual a arquitetura e formato os dados devem ser devolvidos em caso de ruptura ou término do contrato”, recomenda.

Para Raphael Mandarino, cabe a cada administrador decidir, após uma profunda análise dos riscos, que serviços e, principalmente, que informações podem ser entregues para um fornecedor de cloud computing. “Em minha opinião, dados sensíveis devem ser armazenados na própria instituição sob sua única e exclusiva gestão”, diz.

Cloud Computing e Órgãos Públicos

A utilização do cloud computing pelos órgãos públicos ainda está em estudos no âmbito do Comitê Gestor de Segurança da Informação, e algumas idéias chaves estão se delineando, apesar de ainda não haver nenhuma decisão, de acordo com Mandarino. “Por exemplo: parece-nos lógico determinar que dados de estado devam ser armazenados no território nacional, assim como sua contingência. Informações classificadas com grau de sigilo, não devem ser objeto, em nenhum circunstância, de computação em nuvem”, diz.

Para o diretor do Departamento de Segurança da Informação, os data-centers que abrigarem dados governamentais devem se submeter a auditorias técnicas e fiscais dos Órgãos de Controle Governamental. E mais: “o acesso aos locais de armazenagem que contenham dados de governo deve ser restritos e seguirem as regras de acesso estabelecidas pela legislação pertinente, assegurado o direito de acesso, à qualquer tempo, dos administradores públicos responsáveis pelas informações ali armazenadas. A segregação dos dados de governo dos demais clientes deve ser cláusula fundamental em qualquer contrato. Obrigação de informação à Equipe de Tratamento de Incidentes de Redes do Órgão contratante ou ao Centro de Tratamento de Incidentes de Redes – CTIR.gov de qualquer incidente ocorrido no data-center, mesmo que não tenha posto em risco os dados governamentais ali armazenados. Introdução de cláusula especial de confidencialidade para resguardar os dados governamentais ali armazenados”, enumera Raphael Mandarino, concluindo também que os administradores, que optarem pela computação em nuvem, devem buscar uma legislação própria do país, ou seja, empresas brasileiras, por exemplo, devem buscar serviços de nuvens que estejam sob a legislação do Brasil.

 
Nuvens públicas e privadas
Nuvens públicas ou privadas: quando usar. As públicas oferecem menor custo, mas apresentam os maiores desafios de segurança, privacidade e interoperabilidade

 

Cezar Taurion, diretor de novas tecnologias da IBM Brasil

Tirando poucas certezas, restam muitas dúvidas sobre o novo modelo de entrega de TI, o chamado cloud computing. Por isso, os CIOs precisam balancear benefícios e riscos para entender em quais casos o cloud computing pode ou não ser aplicado nas suas empresas. E mais: quando usar uma nuvem pública ou privada, se são realmente seguras, se são favoráveis à interoperabilidade, entre outras questões, como a segurança. Entender a maturidade de cada serviço na nuvem é um dos maiores desafios dos gestores de TI, mas, talvez, só assim encontrem no conceito uma alternativa sensata e que pode, inclusive, melhorar desempenhos além de reduzir custos. É preciso entender, por exemplo, se realmente vale a pena adotar uma nuvem pública, uma vez que ainda existem algumas dúvidas sobre segurança e disponibilidade. Em entrevista à TIC Mercado, Cezar Taurion, diretor de novas tecnologias da IBM Brasil, disse que, de maneira geral, as grandes empresas estão mais propensas a começar o caminho em direção ao cloud computing através de nuvens privadas e não públicas. Um dos motivos é que as nuvens públicas oferecem muitos benefícios, mas apresentam os maiores desafios de segurança e privacidade. Assim, segundo ele, colocar aplicações em uma nuvem pública poderia gerar mais dificuldades que benefícios, pelo menos por enquanto. Taurion falou ainda sobre a adoção de padrões de interoperabilidade entre nuvens. Ele disse que existe um aspecto preocupante nas nuvens públicas que ainda não tem sido considerada com a devida atenção, que é o alto risco de aprisionamento forçado ou “cloud lock-in”. O resultado é que o usuário acaba ficando aprisionado na nuvem deste provedor, uma vez que o trabalho de mover suas aplicações para outras nuvens não será simples e nem será barato. Nesta entrevista, Cezar Taurion falou também sobre os riscos e os benefícios do cloud computing, os desafios dos CIOs e a maturidade e futuro desta nova tecnologia.

TIC – Quais os riscos e os benefícios que CIO precisa balancear antes de adotar a computação em nuvem?

Cezar Taurion - Os benefícios são variados e é importante avaliar a proposição de valor para a computação em nuvem. Existem muitas e diferentes perspectivas, e uma única certeza: confusão e desinformação ainda estão muito disseminadas. Redução de custos de infraestrutura e transformação de custos fixos de TI em variáveis vêm sendo um dos mais importantes discursos da computação em nuvem. Mas será que todas as empresas esperam estes mesmos benefícios e na mesma intensidade? Vamos tentar avançar um pouco. Primeiro, vamos fatiar o elefante em bifes. Vamos falar, como exemplo, das soluções de nuvens de infraestrutura, modelo Infrastructure-as-a-Service. Mas, mesmo concentrando o foco, a proposição de valor destas nuvens é diferente quando olhamos sob a ótica das pequenas ou das grandes empresas. As pequenas empresas, com áreas de TI informais, geralmente com budgets mínimos ou até mesmo inexistentes, esperam que cloud computing seja a solução para reduzir seus investimentos em capital. Adquirir alguns servidores e mantê-los em operação pode representar um custo elevado para estas empresas. O uso de nuvens públicas permite pensar de forma diferente. Usar uma infraestrutura já montada e com níveis de segurança e disponibilidade melhores que os limitados recursos que a pequena empresa geralmente dispõe é uma proposição de valor bastante significativa. Por outro lado, as grandes empresas tenderão a adotar nuvens privadas ou mesmo híbridas e, portanto, buscam proposições de valor diferentes. Como ainda investem em capital (conservam e evoluem seu parque de servidores), as proposições de valor concentram-se, principalmente, na redução dos elevados custos de gerenciamento e suporte desta infraestrutura e na melhoria dos níveis de serviço e velocidade de implementação de novos projetos. Portanto, cloud computing pode e, provavelmente, será adotado por proposições de valor diferentes. Por outro lado, existem muitos receios, como a segurança. A questão de segurança é de fundamental importância. O ritmo e a disseminação da computação em nuvem está diretamente relacionado com o grau de confiança no modelo e nas tecnologias envolvidas. Sem se sentir confortável com o nível de segurança obtido, os gestores das empresas não tomarão decisões favoráveis. Assim, conhecer os múltiplos aspectos que envolvem segurança em Cloud Computing é obrigação de todo gestor ou profissional de TI.

TIC – Quais os maiores desafios dos gestores de TI na computação em nuvem?

Cezar Taurion - De maneira geral que ações posso sugerir aos meus amigos CIOs? Bem, antes de mais nada, seria bom que eles compreendessem mais profundamente o que é Cloud Computing, suas restrições (cuidados com lock-ins e as questões de segurança em nuvens públicas) e benefícios. Devem manter-se bem informados sobre a rápida evolução do conceito e de suas tecnologias e ofertas. Sugerir também que comecem a desenvolver pequenos aplicativos em nuvem, testando e validando seus conceitos. Usar uma nuvem para desenvolver um aplicativo é uma boa maneira de se entender o próprio conceito de Cloud Computing e dominá-lo. E para os desenvolvedores, uma tecnologia que eles devem aprender a usar é a Hadoop. À medida que a computação em nuvem se dissemina, entender e dominar esta tecnologia vai se tornar mais e mais importante. Após a implementação, será absolutamente essencial prestar atenção aos modelos de governança. Será necessário rever procedimentos de segurança, uso e contabilização de recursos e assim por diante.

TIC – Qual o futuro do cloud computing, ou seja, para quando você prevê um amadurecimento da tecnologia?

Cezar Taurion - Ainda é comum ver muita gente achando que Cloud Computing vai demorar para se disseminar, principalmente porque muitos analistas de indústria fazem estimativas conservadoras de sua adoção pelo mercado. É verdade que os relatórios de analistas de indústria com estimativas em relação às tendências e perspectivas de Cloud Computing tendem a ser bem conservadoras. Mas, eu não concordo com eles... Este valor será muito mais alto. Minhas razões para esta discordância: Von Neumann, o lendário criador da computação, fez duas importantes observações: uma que o progresso humano é exponencial e não linear. A outra é que este crescimento exponencial começa devagar e, muitas vezes, passando desapercebido, até que atinge um ponto critico, quando se transforma em algo explosivo e profundamente transformador. O que acontece é que geralmente fazemos nossas previsões baseadas na perspectiva de um crescimento linear e não exponencial. Mas o ritmo de mudanças está se acelerando. Por exemplo, os últimos 20 anos de progresso do século XX seriam conseguidos hoje em 14 anos. Em breve em apenas 7 anos e assim sucessivamente. Em termos práticos, o século XXI terá um ritmo de progresso tecnológico pelo menos 1000 vezes maior que o que vimos no século que acabou recentemente. Mas, intuitivamente, consideramos como nosso modelo mental nossa experiência dos últimos anos e replicamos os seus ritmos de crescimento. Assim, se um modelo computacional anterior, como o cliente-servidor, se disseminou em 15 anos, tomamos este tempo como base e projetamos de forma similar o crescimento da computação em nuvem. Mais ainda, geralmente esquecemos que muitas outras mudanças tecnológicas afetam o cenário, contribuindo mais ainda para a aceleração dos processos de mudança. Um exemplo foi o crescimento da Internet. Em meados dos anos 1980, como a Internet era constituída de apenas algumas dezenas de milhares de servidores, ninguém imaginava o que ela seria hoje. Mas com um ritmo de crescimento que dobrava o número de servidores a cada ano (eles se tornavam mais baratos e poderosos em períodos de tempo cada vez mais curtos), hoje temos centenas de milhões de máquinas interconectadas. Se considerássemos apenas o estado da arte da tecnologia de 1985, a Internet seria apenas uma pequeníssima fração do que é hoje. Quando as mudanças se aceleram, o novo paradigma se torna rapidamente dominante e substitui o anterior. Um exemplo foi a completa substituição do modelo computacional centralizado, que dominou a TI até meados dos anos 1980, pelo modelo distribuído, cliente-servidor. Hoje não existe nenhuma empresa que baseie sua computação unicamente no modelo centralizado. Mesmos as empresas que dependem fortemente do antigo símbolo tecnológico deste modelo, o mainframe, usam estas máquinas em conjunção com outros servidores. O que significa? Que em algum tempo (cinco ou dez anos?) o que teremos é que a computação em nuvem será dominante. Na minha opinião, este é o cenário da Cloud Computing. Cloud Computing vai levar os patamares da economia de escala a novos valores e provocar uma onda de inovações no uso da TI. Empresas e negócios, hoje limitados pela necessidade de investir previamente em recursos de hardware e software, estarão livres desta restrição orçamentária e poderão inovar e ousar. O capital que hoje tem que ser reservado para adquirir computadores e softwares será liberado para a própria operação do negócio. Os riscos serão bem menores. O seu crescimento será muito mais rápido e intenso que os analistas dizem e mesmo que muitos dos atores atuais da indústria de TI gostariam que fosse... Embora seja gradual, não será do dia para a noite, mas ao longo dos próximos anos a computação em nuvem vai se disseminar pelo mercado como um todo.

TIC – Quando preterir uma nuvem privada à nuvem pública e vice-versa?

Cezar Taurion - De maneira geral, observo que as grandes empresas estão mais propensas a começar o caminho em direção a Cloud Computing através de nuvens privadas e não públicas. Uma pesquisa do IDC, de janeiro deste ano, mostrou que para a classificação “very appealing or appealing” as nuvens privadas tiveram 64% de respostas contra 30% das nuvens públicas. Por que? Pensando alto, posso imaginar algumas razões... Uma delas é que as nuvens públicas oferecem muitos benefícios, mas, por outro lado, apresentam os maiores desafios de segurança e privacidade. Além disso, muitas das aplicações internas das empresas, como ERPs, têm alto grau de previsibilidade de demanda, minimizando o valor do modelo em cloud. As aplicações com demandas menos previsíveis são as que interagem diretamente com os clientes, como as de comércio eletrônico, pois uma promoção comercial pode afetar a demanda num piscar de olhos. Estas aplicações têm muito a ganhar com o modelo elástico das nuvens. Mas, estas aplicações não só demandam requisitos elevados de segurança, como são altamente dependentes de integração com outras aplicações. Assim, colocá-las em uma nuvem pública poderia gerar mais dificuldades que benefícios, pelo menos por enquanto. Outra observação é que as motivações para adoção de nuvens públicas são diferentes das consideradas para nuvens privadas. Para nuvens públicas, o principal motivador é a redução dos custos de propriedade (software, hardware, pessoal e data center). E o modelo “pay-as-you-go” é um dos mais citados nas pesquisas para adoção destas nuvens. Imaginemos a seguinte situação: uma empresa apresenta uma demanda de pico de 500 servidores, mas na média o consumo equivale a uma utilização de 300 servidores. O custo por dia é de 300 x 24 ou 7200 servidores/hora. Mas a empresa configura seu data center para a carga de pico e paga 500 x 24 ou 12.000 servidores/hora. É um fator 1.7 maior que o necessário. No modelo pay-as-you-go você paga o que usa realmente, e assim, se o TCO for menor que 1.7 vezes, o custo de adquirir e manter os servidores, passa a ser um bom negócio usar uma nuvem pública. O principal questionamento quanto às nuvens públicas é a segurança e privacidade dos dados. Interessante que para muitas pequenas e médias empresas um data center de um provedor, como a Amazon, oferece muito mais segurança que seu próprio data center, que opera sem políticas e processos adequados. Por outro lado, empresas de grande porte, geralmente operam sob políticas bem rígidas de segurança e aderência a normas e padrões de auditoria, que inibem o uso de nuvens públicas. Para estas a solução é adotar nuvens privadas.

TIC – Como está a adoção de padrões de interoperabilidade entre nuvens?

Cezar Taurion - Existe um aspecto preocupante nas nuvens públicas que ainda não tem sido considerada com a devida atenção, que é o alto risco de aprisionamento forçado ou “cloud lock-in”. O lock-in em nuvens públicas aparece porque cada provedor implementa seu próprio conjunto de APIs e, muitas vezes, seu próprio banco de dados e ambiente de programação. O resultado é que o usuário acaba ficando aprisionado na nuvem deste provedor, uma vez que o trabalho de mover suas aplicações para outras nuvens não será muito simples e nem será barato. Porque isto acontece? Uma característica diferenciadora do ambiente de cloud computing com relação ao ambiente tradicional é que a infraestrutura em cloud, por si, é programável. Por exemplo, para usarmos os serviços S3 ou SimpleDB da Amazon, usa-se um conjunto de APIs próprias. O mesmo acontece quando usamos o GAE (Google Application Engine) e seus recursos proprietários de banco de dados (BigTable). O problema é que estas APIs implementam acesso a recursos específicos e proprietários e não são padronizados. Migrar de uma nuvem como a da Amazon para a do Google ou do Azure da Microsoft para o Google demandará um belo trabalho de conversão. Observamos um fato interessante: quanto maior o nível de abstração da nuvem, maior seu potencial de lock-in. Ou seja, uma nuvem SaaS oferece maior risco de lock-in que um PaaS e este maior potencial que uma nuvem IaaS. Exemplo prático: o Force.com cria um lock-in bastante intenso, pois as aplicações devem ser desenvolvidas na linguagem proprietária do Salesforce que é o Apex, que não está disponível em outros ambientes de nuvem. Já no GAE, você pode pegar seu código Java ou Python e usar o programa em outra nuvem, mas caso use (e acaba-se usando) os recursos proprietários, como o banco de dados BigTable, tem-se o lock-in. O que fazer? Bem, já existe uma alternativa a este aprisionamento, que foi a criação das chamadas Open APIs. Estas APIs criam uma camada de abstração permitindo que o desenvolvedor não tenha que se preocupar com APIs de nuvens específicas. A proposta é que uma OpenAPI se encarregue de fazer automaticamente a tradução para as APIs especificas. As suas limitações são ainda o fato que continua persistindo o problema da interoperabilidade entre as nuvens públicas (uma aplicação rodando na nuvem EC2 da Amazon não fala com a nuvem Azure da Microsoft) e obriga que o desenvolvedor aprenda este novo conjunto de APIs. Mas, é um bom primeiro passo. E o futuro? Creio que o modelo de aprisionamento atual é decorrente de um conceito e tecnologias que estão na sua infância e, portanto, ainda na fase dos provedores destes serviços buscarem consolidar seu espaço no mercado. Historicamente, novas tecnologias e mercados na Internet evoluem da seguinte maneira:

a) Um novo mercado ou tecnologia surge baseado no modelo fechado e proprietário.
b) Por pressão de um mercado em crescimento, começam os primeiros sinais de abertura.
c) Quando o mercado ou tecnologia já está maduro, torna-se aberto (open) ou “open enough”.

Na verdade, o conceito de aberto tem perspectivas diferentes quando falamos em serviços, como as nuvens públicas, e quando falamos em software. A essência de uma nuvem pública é que o usuário está alugando os recursos computacionais de outra empresa, o provedor de serviços em nuvem. Claro que em um contexto destes o usuário não poderá ter 100% de controle e os serviços de nuvem continuarão fechados (infraestruturas, métodos e práticas proprietários). Mas, nuvens não interoperáveis serão uma limitação muito grande à própria expansão do mercado de public clouds. A pressão do próprio mercado e a tendência para sistemas abertos vai obrigar a que no futuro estas nuvens públicas sejam realmente abertas. Será absolutamente essencial permitir interoperabilidade entre todas elas. Uma aplicação rodando no Azure deverá demandar acesso a outra que esteja rodando no GAE ou no EC2, sem limitações. Portanto, na minha opinião, será questão de tempo vermos APIs abertas e a interoperabilidade entre nuvens. Para fechar, vale a pena lembrar a iniciativa chamada Open Cloud Manifesto, que mostra a preocupação do mercado com este risco de lock-in. O Open Cloud Manifesto pode ser lido em www.opencloudmanifesto.org e se propõe a aglutinar empresas que oferecem tecnologias e serviços de cloud em torno da especificação de um padrão aberto. O manifesto estabelece um conjunto de diretrizes, denominados princípios para nuvens abertas, que asseguram que as organizações que usarem nuvens computacionais não ficarão restritas a padrões fechados, mas terão liberdade de escolha, flexibilidade e abertura para não ficarem aprisionadas a nenhuma nuvem.

*Cezar Taurion possui dois blogs sobre computação em nuvem: www.ibm.com/developerworks/blogs/page/ctaurion e www.computingonclouds.wordpress.com

 
Nuvem e e-gov
Governo quer implementar projetos e serviços de e-gov na nuvem. Item segurança ainda é entrave


Marcos Mazoni, presidente do Serpro

Muitas barreiras, que vão desde questões tecnológicas a gerenciais, ainda precisam ser derrubadas para a implantação da computação em nuvem nos serviços de governo. Mas o Estado já sinaliza com alguns projetos baseados nesta arquitetura. A computação em nuvens, segundo o governo, é uma das melhores alternativas para se aportar recursos no intuito de criar sistemas de governo eletrônico, principalmente por causa da economia de escala obtida com a racionalização de recursos. Na prática, significaria ganhos de desempenho com redução de custos para o Estado.

Nuvem traz benefícios para o e-gov

Marcos Mazoni, diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), diz que existem aspectos tecnológicos que representam grandes vantagens. “Hoje, no Serpro, por exemplo, temos de pensar na utilização máxima da nossa planta e fazer as contratações que deem conta dessa utilização. No contexto da computação em nuvem, poderemos trabalhar com a contratação de demandas pontuais. Se o Serpro tiver uma demanda pontual que possa ser atendida, por exemplo, com compartilhamento computacional com a Dataprev - Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social, poderemos diminuir os investimentos em ponta. É uma característica tecnológica que nos permite fazer investimentos de acordo com a média da utilização. Estima-se que 12% da capacidade computacional seja normalmente utilizada. Há momentos de 100% e momentos de zero. Poderemos trabalhar com um ajuste melhor”.

Segundo Mazoni, através da computação em nuvem, diminuindo o investimento, também diminuirá a necessidade de sistema energético: toda energia que suporta é calculada pelo pico. “Temos sistemas de refrigeração, alimentação elétrica, por exemplo, que consomem energia e bens da natureza. Portanto, haverá a redução do aquecimento ambiental. Então, há ganhos para a sociedade em geral”, acredita.

O presidente do Serpro avisa, no entanto, que alguns cuidados precisam ser tomados, pois nem todas as aplicações estão preparadas para usar essa nova infraestrutura tecnológica. “Esse foi um dos grandes temas de debate no Consegi 2010, que aconteceu na semana passada: como serão as ferramentas de desenvolvimento, quais os novos padrões, tecnologia de software, distribuição de processamento. Temos de ter paralelismo nos softwares para o processamento. São aspectos que precisam ser trabalhados, além da questão da segurança. Se queremos trabalhar com uma rede, os dados de governo não podem ficar fora do país. Então essa rede tem limitações e saber controlar esse processo como um todo demandará muita pesquisa e trabalho”, enfatiza.

Expresso na nuvem

“Pretendemos implementar na nuvem, até dezembro deste ano, o Expresso, uma suíte de comunicação que agrega correio eletrônico, agenda, catálogo e outras funcionalidades. Em que isso impacta? As pessoas terão um diretório no governo como um todo, vamos poder localizar e se comunicar com as pessoas com mais facilidade, o que diminui custos de comunicação no próprio governo. O primeiro elemento impactante será a colocação do expresso na nuvem, atendendo aos clientes do Serpro, Dataprev e outros órgãos de governo”, revela Marcos Mazoni.

A perspectiva para a sociedade, segundo o presidente do Serpro, é que a tecnologia em nuvem vai “obrigar” a discutir uma série de processos de governo, até alterar o foco, passando da estrutura de governo prestador de serviço para o foco no cidadão. “Os serviços gravitando em torno do cidadão. Com ferramentas de busca, ele vai conseguir identificar todos os serviços que lhe diz respeito, sem necessitar conhecer a estrutura do governo e o que faz cada órgão. Isso muda, e muito, os tipos de serviços que são prestados, a forma de relacionamento do Estado com o cidadão, aumentando a qualidade dos serviços prestados”.

Software livre suporta serviços em nuvens, mas falta segurança

Mazoni explica que existem tecnologias de software livre que suportam os serviços de computação em nuvem, mas alerta para as questões de segurança. “Há ainda alguns requisitos de segurança, que estão sendo mais usados no mundo pelos grandes players que trabalham com tecnologia de nuvem e com itens de segurança que são fechados. Mas temos alguns exemplos de plataformas livres utilizadas para atender a demandas de IaaS (Infrastructure as a Service): Eucaliptus, com a qual o Ubuntu lançou versão integrada; Open Nebula e Niftname, usados em projeto TioLive, que atende a uma nuvem Enterprise Resource Planing (ERP), sistema que integra dados e processos de uma organização”, conclui Mazoni.

 
Nuvem e empresas
Empresas se adaptam às exigências de mercado do cloud computing


Otavio Pecego Coelho, arquiteto de Soluções Sênior da Microsoft Brasil

Milhares de pessoas usam a computação em nuvem toda vez que acessam o Hotmail, enviam fotos ao Facebook ou compram músicas no iTunes. E isso é só o começo do que promete as empresas que trabalham com esta nova tecnologia. As companhias fornecedoras de softwares, por exemplo, veem o cloud computing (computação em nuvem), hoje, como uma das maiores oportunidades, em décadas, para o mercado de tecnologia. Da criação de oportunidades para as empresas e seus clientes a novas formas comunicação, a nuvem está redefinindo o ambiente de TI. Pelo menos é o que pensa a Microsoft. A companhia está se “reinventando” para adaptar-se às nuvens com novos serviços, como o sistema Azure e o Business Productivity Online Suite. A estratégia é fazer com que cada um de seus produtos tenha características e/ou serviços que suportam a nuvem. Foi o que disse, em entrevista à TIC Mercado, Otavio Pecego Coelho, arquiteto de Soluções Sênior da Microsoft Brasil. Segundo ele, os profissionais de TI podem esperar um mundo mais híbrido e com mais opções, lembrando que, para o futuro, é preciso estar preparado para a interoperabilidade entre a nuvem e fora dela, já que ainda há muito para se produzir, tanto com a TI local como com a remota. Otavio Pecego também falou sobre os planos da companhia para o Brasil com relação à computação em nuvem. Até o final do ano, segundo ele, a Microsoft pretende disponibilizar para o mercado brasileiro a integração com a nuvem do Office 2010.

TIC - Como a computação em nuvem está afetando os profissionais de TI, os negócios, as relações com fornecedores e a cultura das organizações?

Otavio Pecego - A Microsoft vê a nuvem em cinco dimensões:
1. A nuvem cria oportunidades e responsabilidades.
2. A nuvem ajuda você a aprender, decidir e agir.
3. A nuvem aumenta as interações sociais e profissionais.
4. A nuvem oferece dispositivos inteligentes.
5. A nuvem direciona avanços no servidor que, por sua vez, conduz à nuvem.
Para as empresas, a Microsoft destaca que esse modelo oferece mais eficiência em IT, com custos mais baixos, agilidade e flexibilidade em suas operações, além de ampliar o alcance dos usuários de outras regiões a novos tipos de aplicativos.

TIC - Como os mais importantes produtos da Microsoft – Windows e Office - serão modificados para continuarem relevantes na era do cloud computing, pela qual grande parte da computação corporativa está sendo desenvolvida externamente à data center das próprias companhias?

Otavio Pecego - A Microsoft tem uma estratégia consolidada para transformar a experiência de seus usuários com serviços na nuvem. Cada um de nossos produtos possui ou terá características e/ou serviços que suportam a nuvem. A intenção é aproximar, equalizar essa experiência nas diversas plataformas, seja um PC, um dispositivo móvel ou na web. Trata-se da chegada de um novo modelo de negócios onde é possível optar por estruturas mistas, com Serviços na Nuvem e o Software Instalado na máquina. No primeiro semestre de 2010, lançamos o Office 2010 para empresas cuja integração com a nuvem estará disponível no Brasil até o final do ano, o BPOS (Business Productivity Online Suite, que é um conjunto de soluções de colaboração e mensagens na nuvem oferecido como serviço que inclui o Exchange Online, SharePoint Online, Office Live Meeting e Office Communications Online), o Windows Azure e outros serviços voltados ao consumidor e ao mercado corporativo. Para o consumidor final, destacamos a plataforma Windows Live que apresenta uma série de produtos na nuvem. O Messenger, comunicador instantâneo da Microsoft, possui no Brasil a sua maior base mundial de usuários: 47 milhões.

TIC - O que o profissional de TI pode esperar do futuro dentro desse novo conceito em infraestrutura e fornecimento de serviços?

Otavio Pecego - Os profissionais de TI podem esperar um mundo mais híbrido e com mais opções. Deve-se conhecer as oportunidades surgidas pelos serviços na nuvem, entender como aproveitar as vantagens destes serviços, como funcionam e também quando optar por implementar a solução nos servidores locais. Para o futuro, é preciso estar preparado para a interoperabilidade entre estes, os mundos na nuvem e fora dela, já que temos ainda muito a produzir, tanto com a TI local como com a remota.

TIC – A Microsoft já anunciou alguns projetos em computação em nuvem. Quais os planos da companhia para o Brasil?

Otavio Pecego - A Microsoft se estabeleceu no Brasil há 21 anos e observamos um rápido desenvolvimento tanto do segmento como da economia como um todo. Especificamente no que se refere à área de tecnologia da informação, a Microsoft vê um enorme potencial no Brasil que atende a filosofia global da empresa, que acredita no potencial ilimitado da tecnologia para fortalecer indivíduos, empresas, mercados e países. O Brasil é o principal mercado da Microsoft na América Latina. A subsidiária brasileira está entre as 10 principais operações mundiais da companhia e ficou em primeiro lugar entre os países do BRICs em termos de faturamento. No País, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 92% das pessoas que utilizam alguma suíte de produtividade usam o Office. O nosso consumidor tem a liberdade de escolher se prefere trabalhar na nuvem ou não. Até o final do ano, pretendemos disponibilizar para o mercado brasileiro a integração com a nuvem do Office 2010.

TIC – Em que sentido os clientes corporativos e desenvolvedores mais avançados precisam se preparar para a tecnologia de computação em nuvem da Microsoft?

Otavio Pecego - Existem novos cenários possibilitados pelos serviços na nuvem, como os novos tipos de armazenamento que permitem a elasticidade dinâmica, tornando factível o acesso simultâneo de milhões de usuários a determinados dados. Tais modelos de armazenamento têm finalidades e especificidades técnicas diferentes das de um Banco de Dados. Conhecer estas novas tecnologias e saber quando usá-las é parte da nova equação para o bom uso dos serviços na nuvem. Outro exemplo é o de como incluir a nuvem dentro do ciclo de desenvolvimento. Como testar um aplicativo? Como gerar logs e monitorá-lo? Estabelecer arquiteturas e processos que contam com serviços na nuvem são passos importantes que vão levar a TI a um maior nível de maturidade. Vale ressaltar ainda que os serviços na nuvem da Microsoft contam com tecnologias que apoiam a integração com a TI da corporação, além de garantir segurança. Estes dois aspectos são fundamentais e cabe à esta mesma TI implementar processos que garantam o melhor uso dos serviços também sobre estas óticas.

 
Alertas
III Seminário TelComp 2010 discute convergência e inovação

O fenômeno das redes sociais, os novos padrões de comunicação pessoal e empresarial, o entretenimento, a educação, o comércio, entre outros aspectos da vida moderna, estão passando por mudanças que representam oportunidades de negócios. Para discutir estas tendências, a TelComp, em parceria com a Brasscom e com a Fundação Getúlio Vargas, promove no dia 28 de setembro de 2010 o III Seminário da série Estratégias Transformadoras de TIC para o Brasil e seus Impactos nos Negócios, cujo tema será “Convergência e Inovação: Criando Valor e Desenvolvimento”. Expoentes dos setores de telecomunicações e TI, bem como grandes usuários dos serviços, participarão de painéis de debates onde estes assuntos serão analisados sob a ótica de novas oportunidades de negócios. Informações adicionais no site www.telcomp.s2publicom.com.br.
 
Workshop debate Fomento à Inovação Tecnológica no Setor Empresarial


O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/MCT), em parceria com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento (Fade) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE,) realiza hoje (25) um workshop sobre o Fomento à Inovação Tecnológica no Setor Empresarial, no Campus Tecnológico do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Recife (PE). Na programação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresenta novos mecanismos de fomento, entre eles o Cartão BNDES, para apoiar empresas que trabalham com inovação tecnológica. A iniciativa pretende estimular empresários a utilizarem o cartão e a participarem mais ativamente dos editais de fomento lançados pelos governos estadual e federal. Mais informações no site www.mct.gov.br.

 
Fórum discute tecnologia e mercado do Nordeste


Com o objetivo de apresentar as oportunidades de mercado e os desafios para o desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Telecomunicações no Nordeste brasileiro, acontece no dia 07 de outubro, no Hotel Atlante Plaza, em Recife, o Fórum Nordeste Digital 2010. O evento incluirá palestras para um público profissional sobre os desafios dos CIOs na adoção de novas tecnologias, as tendências sobre sustentabilidade e datacenter verde, as oportunidades de negócios propiciadas pela mobilidade, o cenário e desafios no desenvolvimento de softwares na região, o mercado de distribuição de produtos de TIC, tendências em SaaS, Cloud Computing e Virtualização, o impacto da web 2.0, redes sociais e marketing digital sobre os negócios. Mais informações e inscrições pelo site www.convergecom.com.br.

 
Por dentro
Abinee pede mudanças no sistema de pregão eletrônico

Humberto Barbato, presidente da Abinee

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) está contestando o modelo de pregão eletrônico do governo federal e propõe a revisão do decreto nº 5.450, de 31/5/2005, que estabeleceu esse modelo de compras pela internet. O argumento da entidade é de que os mecanismos adotados para escolha da empresa vencedora estão sendo usados indevidamente, prejudicando principalmente as indústrias de hardware, telecomunicações e de geração, transmissão e distribuição de energia. O pedido para mudanças no sistema de pregão eletrônico é uma das cinco reivindicações da associação feitas ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, por meio de uma carta sobre “Limites ao Crescimento Econômico e Medidas Compensatórias”, entregue na semana passada pelo presidente da Abinee, Humberto Barbato. Uma das contestações da Abinee em relação ao pregão eletrônico é sobre o sistema randômico, que permite o encerramento aleatório do leilão, sem que as empresas saibam quanto tempo mais terão para dar lances. “O leilão pode acabar em dois segundos e temos dúvidas sobre a lisura desse processo”, diz o assessor técnico da Abinee, Roberto Barbieri. Barbieri questiona se o governo está realmente comprando pelos melhores preços. Segundo ele, o sistema randômico não dá oportunidade para os participantes apresentares as melhores propostas. O presidente da Abinee sugere que seja adotado no Brasil o modelo praticado nos Estados Unidos, em que todos sabem o horário de término do pregão e, no último minuto, o pregoeiro pergunta se há mais propostas e dá um ou dois minutos a mais para que os lances sejam apresentados. A Abinee também questiona a qualidade técnica e administrativa dos vencedores. Segundo Barbato, nem sempre o ganhador está habilitado para fornecer determinados produtos. Ele afirma que há empresas comerciais vencendo os leilões e que depois saem em busca de um fornecedor para entregar o pedido e até recorrem a importadores. Outro problema, segundo Barbato é o fato de que, pelo atual modelo, caso o vencedor do leilão tenha pendências administrativas, o segundo colocado é convocado para atender o pedido. No entanto, nem sempre consegue manter o preço praticado pelo ganhador - conforme estipula a lei. Por considerar que o modelo dos pregões eletrônicos está equivocado, a Abinee pede ao governo que inclua no decreto 5.450 medidas para disciplinar o sistema de compra reverso pela internet.

 

Balança comercial de alta tecnologia piora no País

 

Roberto Nicolsky, diretor-geral da PROTEC

Levantamento da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC) revela que o déficit da balança comercial em produtos e serviços de alta e média-alta tecnologia no País alcançará inéditos US$ 75 bilhões neste ano. O valor supera os anos de 2008 (US$ 62 bilhões) e 2009 (US$ 58 bilhões). Entre os produtos estão chips, insumos da indústria farmacêutica e máquinas especiais. O valor total inclui gasto com as compras de insumos, componentes e equipamentos para as indústrias química, eletroeletrônica e de bens de capital, além do gasto do País com o aluguel de equipamentos não disponíveis no Brasil, além do pagamento de royalties pelo uso de tecnologias importadas. Para Roberto Nicolsky, diretor-geral da PROTEC, o déficit crescente da balança de tecnologia revela a fragilidade do parque industrial brasileiro para atender a demanda gerada pelo crescimento econômico. "O levantamento revela algo muito preocupante. Quanto mais o País cresce, maior fica a nossa dependência externa", explica. De acordo com ele, a expansão econômica do Brasil tem contribuído pouco para a elevação do nível tecnológico da indústria. Sem investimento suficiente, a demanda só é atendida a partir da importação de insumos. Nicolsky afirma que é essa situação que alimenta a condição brasileira de exportação de bens de baixo valor e importação de itens de alto valor agregado. Esse fenômeno, alerta a PROTEC, tem conduzido o País a um lento processo de desindustrialização. A PROTEC afirma que é sintomático o desempenho da indústria manufatureira em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). "Enquanto o PIB cresce 6%, a indústria de manufatura cresce pouco mais de 1%", diz.

 
Ministra-chefe da Casa Civil defende planejamento para a inclusão digital no país  

Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, destacou durante a abertura nesta terça-feira (24) do Fórum Brasil Conectado, a necessidade de parceria entre o estado, sociedade e iniciativa privada para realizar a inclusão digital. Ela falou ainda que o objetivo do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) com a Telebrás é triplicar o números de domicílios com banda larga até 2014. Segundo a ministra, a intenção obter "100 mega" de velocidade, mas por enquanto serão 512 quilobite por segundo (kbs). Em 2010 a rede já vai conectar o Nordeste com Sul e Sudeste, lembrou. “O papel do estado brasileiro é indutor, parceiro da sociedade, e porque não, da empresa privada. Nada acontece daqui a 5, 10 anos se não for planejado hoje”, disse a ministra. Erenice Guerra destacou ainda a necessidade de o país aproveitar as obras de infraestrutura, como ferrovias e estradas, para a instalação da banda larga e de ter investimentos e inovação. Para ela, o país precisa de uma sociedade da informação, de uma fábrica de semicondutores, e de desenvolvimento de softwares, de forma a garantir super banda larga.

 

Telebrás define primeiras cidades do plano de banda larga


Rogério Santanna, presidente da Telebrás

Nesta terça-feira (24), durante o 2º Forum Brasil Conectado - evento que acontece em Brasília -, o presidente da Telebras, Rogério Santanna, informou que já foram definidas as primeiras cidades que serão contempladas pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Até o final de 2010, o programa levará acesso rápido para 100 localidades e 16 capitais das regiões Sudeste e Nordeste, além do Distrito Federal. Na primeira fase do PNBL, a estatal utilizará a rede de fibra óptica das empresas do setor elétrico. Apesar de já saber os nomes e os critérios de escolha das cidades beneficiadas, Santanna informou que a lista só será anunciada na próxima quinta-feira (26), quando termina o 2º Forum Conectado. Segundo ele, novas contribuições podem surgir durante o evento. Na primeira etapa serão beneficiadas as regiões Sudeste e Nordeste em razão de os cinco backbones das redes dos governo estarem nesse raio de cobertura. Já a implementação do PNBL no Norte do País, onde há mais dificuldades de conexão, deverá ocorrer até 2014. O orçamento da Telebrás para capitalização e cumprimento das metas do PNBL deverá ficar em 1 bilhão de reais, sendo 600 milhões de reais gastos este ano e 400 milhões de reais em 2011, com a possibilidade de utilização de mais 400 milhões de reais no decorrer do próximo ano, dependendo da meta orçamentária. O 2º Fórum Brasil Conectado abriu hoje e se estenderá até o dia 26/8, na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), na capital do Distrito Federal.

 
Governo recusa proposta de conversor da TV Digital por R$ 237

Roberto Pinto Martins, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações

Governo e empresários ainda não chegaram a um acordo sobre a fabricação de um conversor para TV Digital de baixo custo, que atenda a demanda das classes D e E, mercado estimado pelo governo em 15 milhões de famílias. Na primeira reunião entre as partes, realizada na segunda-feira (23), no Ministério das Comunicações, o consórcio de empresas formado para produzir conversores para a TV Digital a preços mais acessíveis propôs que o equipamento custasse entre R$ 237 e R$ 356 ao consumidor final. Os valores foram descartados pelo governo. “Vamos ter de baixar esse preço para um valor plausível, que atenda a população de baixa renda”, disse o Assessor Especial da Casa Civil, André Barbosa. Segundo ele, existe um mercado consumidor para o equipamento de 15 milhões de famílias somente nessas duas classes sociais. André Barbosa destacou que as classes D e E já têm grande parte de sua renda mensal comprometida, o que inviabiliza a compra do set-top box a um preço alto. O governo pediu aos empresários uma nova proposta, com o preço do set-top box mais baixo. A próxima reunião entre os empresários e o governo federal ocorrerá no dia 08 de outubro. "Nosso principal desafio é a redução do custo de produção e de distribuição desse equipamento, que vai possibilitar ao usuário receber o sinal da TV Digital”, disse o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins. Ele acrescentou que outros fatores, como a cobertura da TV Digital, a interatividade e os conteúdos a serem disponibilizados, também serão objeto de discussão, mas baixar o valor do equipamento é o mais importantes neste momento.

 
Empresas nacionais e internacionais buscam parcerias no projeto comprador Rio Info 2010
Arnaldo Bacha, vice-presidente executivo da SOFTEX

O Projeto Comprador Rio Info é um dos destaques da programação da oitava edição do Rio Info, um dos mais importantes eventos de TI do País, que acontece entre os dias 31 de agosto e 02 de setembro, no Rio de Janeiro. Trata-se de mais uma iniciativa do Programa Setorial Integrado para Exportação de TI (PSI-SW), desenvolvido pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) com o apoio técnico e financeiro da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Durante o evento, empresas nacionais e executivos de companhias argentinas, portuguesas, espanholas, francesas e norte-americanas estarão reunidas em encontros individuais e em rodadas de negócios em busca de parceiros potenciais. Em 2009, o Projeto Comprador Rio Info contou com a participação de 35 companhias internacionais e de 50 brasileiras. Foram promovidas 166 reuniões com uma expectativa de geração de mais de US$ 9 milhões em negócios. “Para este ano esperamos a presença de 40 empresas internacionais e de 150 brasileiras. O Projeto Comprador está inserido em nossa estratégia de consolidar o software brasileiro no exterior, a vinda ao País de potenciais interessados em adquirir nossas soluções, estabelecer parcerias comerciais e tecnológicas; ou mesmo firmar contratos de distribuição em seus países. Os expressivos resultados obtidos na edição do ano passado comprovam o acerto dessa nossa linha de ação”, comenta Arnaldo Bacha, vice-presidente executivo da SOFTEX. As companhias interessadas em participar do Projeto Comprador Rio Info devem fazer sua inscrição no endereço www.rioinfo.com.br indicando durante o processo o seu interesse em participar das rodadas de negócios.

 
Empresas de telecomunicações investirão R$ 80 bilhões até 2014

Os investimentos das empresas de telefonia e de serviços móveis tendem a totalizar cerca de R$ 80 milhões até 2014, quando ocorrerá a Copa do Mundo do Brasil. Já os assinantes dos serviços de telecomunicações, no mesmo intervalo de tempo, gastarão cerca de R$ 160 bilhões com o pagamento de impostos, ou seja, exatamente o dobro do que será aplicado pelas operadoras. Os dados foram apresentados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), que defende a desoneração do setor como uma das formas para se proporcionar a ampliação dos investimentos realizados pelas companhias. “Nós precisamos acabar com isso para conseguirmos efetivamente mais do que os 100 milhões de acessos, mais do que os R$ 80 bilhões de investimentos e para gerarmos muito mais empregos”, afirmou o diretor executivo do Sinditelebrasil, Eduardo Levy, que participa do 54º Painel Telebrasil. Já o secretário executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Luiz Salomão, admitiu que é necessário reduzir a carga tributária do setor. “Reconhecemos que é absurdo taxar investimento em telecomunicação. É refrear o desenvolvimento do país”, disse ele. Salomão, porém, ressaltou que não dá para comparar o sistema tributário brasileiro ao de países asiáticos, como alguns críticos costumam fazer. E ponderou ainda que, caso o setor seja desonerado, será necessário buscar outras fontes de arrecadação. “Onde vamos descarregar os impostos das telecomunicações?”.

 
Brasil registra venda de 6,2 milhões de computadores no primeiro semestre


No primeiro semestre de 2010, foram vendidos 6,2 milhões de computadores no mercado brasileiro e as projeções são de que, até o final do ano, o setor comercialize 14 milhões de equipamentos. Os dados foram apresentados como parte da pesquisa “Comportamento da Indústria Eletroeletrônica”, divulgado na segunda-feira (23), pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), juntamente com o Instituto IT Data. A pesquisa mostra que as vendas de notebooks e de PCs estão bastante próximas. Do volume total de equipamentos comercializados, 3.158 foram desktops e 3.050 laptops, segundo o levantamento da Abinee. Ainda de acordo com a entidade, houve um aumento da procura por equipamentos portáteis, mas eles só deverão ultrapassar o volume de microcomputadores vendidos em 2011. Para este ano, a Abinee projeta para o mercado brasileiro um crescimento das vendas de computadores em torno de 17%, sobre as 12 milhões de unidades entregues pela indústria em 2009, quando 6.850 PCs e 5.150 notebooks foram comercializados. Da estimativa de 14 milhões de máquinas vendidas em 2010, 7.050 serão desktops e 6.950 laptops, prevê a Abinee.

 
País lidera ranking de vírus que roubam dados bancários


O Brasil ocupa um lugar de destaque no cenário mundial do cibercrime. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (24) pela empresa de segurança online Kaspersky Lab, o país é um dos líderes em produção de vírus especializados no roubo de dados bancários – conhecidos como trojan bankers. Além disso, o Brasil é responsável por algo entre 3% a 8% dos cerca de 3,5 mil novos vírus criados no mundo diariamente – o pico de participação é na época do Natal, devido ao crescimento das compras na web. Já entre os trojans bankers, a fatia é muito maior: quase quatro de cada dez vírus do tipo são criados no País. De acordo com Fabio Assolini, analista de malware da empresa no Brasil, 95% dos vírus desenvolvidos em território nacional tem o objetivo de roubar dados bancários e números de cartão de crédito dos internautas. "E os outros 5% dão suporte para eles, roubando senhas de acesso a redes sociais e messenger, por exemplo", disse. Os dados de janeiro a agosto coletados pela Kaspersky mostram que 13% dos computadores no país já foram infectados por trojans bancários. Na sequência, aparece o Kido (também conhecido por Conficker), com 10%. "Isso mostra como as pessoas não atualizam o sistema, pois existe um update da Microsoft para ele há dois anos", diz o analista.

 
Substrato


- A Dell marcou sua entrada no concorrido mercado de smartphones norte-americano nesta terça-feira (24) com o Aero, aparelho Android com tela de 3,5 polegadas que será vendido a US$100 pela operadora AT&T. O lançamento já era esperado há tempos, e coloca a fabricante de PCs em concorrência direta com a líder do mercado de smartphones Apple, além de toda uma variedade de aparelhos que também usam o sistema operacional do Google. A Dell afirmou que o preço do novo smartphone, junto com um contrato de 2 anos com a AT&T, será de US$99,99, ou US$299,99 avulso.

- A Positivo Informática anunciou nesta terça-feira (24) que investirá R$ 10 milhões para realizar uma nova expansão da sua fábrica de Curitiba (PR). Com os recursos a fabricante brasileira ampliará a sua capacidade produtiva nominal 15,2%, passando dos atuais 330 mil PCs por mês para 380 mil por mês.

- A Harris, fornecedora mundial de produtos, sistemas e serviços para emissoras de rádio e televisão, inaugura fábrica de transmissores de TV digital no Brasil. Instalada em Campinas, no interior de São Paulo, a linha de montagem começará produzindo os modelos de transmissores MAXIVA UAX (refrigerado a ar). “São transmissores de média e baixa potência, voltados para emissoras geradoras de menor porte e, também, para retransmissoras de TV”, afirma Nahuel Villegas, vice-presidente Caribe & America Latina da Harris. A linha de montagem da Harris em Campinas está preparada para atender ao aumento da demanda, acompanhando a evolução do mercado. Uma das grandes vantagens da produção local dos equipamentos é o benefício do PPB (Processo Produtivo Básico), que estabelece incentivos fiscais para produtos fabricados no país.