Uso das TICs diminui abismo digital entre nações ricas e pobres, mas países emergentes ainda estão atrasados

Inclusão Escolar: De onde veio esta idéia?

CNPq destina R$ 20 milhões para unir academia e empresas

Ministro defende educação como política de Estado para o desenvolvimento do país

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20 de Fevereiro de 2008

 
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Alertas da Semana


Seminário debate modelo de pesquisa e de pós-graduação nas Ifes.
A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) promove, no Hotel Sol Victoria Marina, em Salvador, hoje (20), o seminário Modelo de Pesquisa e de Pós-Graduação nas Ifes. O encontro reunirá subsídios para a elaboração de um documento com sugestões de aprimoramento da pós-graduação das Ifes. Mais informações pelo telefone (61) 3321-6341.

Capes abre inscrições para bolsas na Alemanha.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes/MEC), o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Daad) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) oferecem bolsas de estudos para doutorado na Alemanha, a serem implementadas a partir de abril de 2009. As inscrições estão abertas até 29 de fevereiro. As bolsas são para doutorado pleno e doutorado-sanduíche, em todas as áreas do conhecimento, com exceção de artes. Podem concorrer cidadãos brasileiros que tenham feito mestrado em curso credenciado pela Capes, com qualificação acadêmica acima da média. O programa oferece curso de alemão a todos os candidatos selecionados. Mais informações pelo site www.capes.gov.br.

Fapesp abre chamada pública para propostas de pesquisa em TI.
Uma chamada pública para apresentação de propostas de pesquisas nas áreas de tecnologia da informação, engenharia de software, psicologia e administração de empresas foi lançada na sede da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), em São Paulo, durante cerimônia de assinatura do convênio de cooperação científica e tecnológica entre a Fundação e as empresas Ci&T Software e DigitalAssets. As propostas devem ser encaminhadas até 14 de abril, por meio do Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da Fapesp. Os resultados do processo de análise e seleção dos projetos serão divulgados em agosto. O aporte total é de R$ 3,6 milhões para o financiamento dos projetos. O objetivo é identificar, selecionar e apoiar projetos de pesquisa fundamental e aplicada a serem desenvolvidas de maneira cooperativa por pesquisadores das duas empresas em parceria com cientistas vinculados a instituições de ensino superior e de pesquisa, públicas e privadas, no Estado de São Paulo. Mais informações pelo site www.fapesp.org.br

TIC BRASIL - Educação, Gestão do Conhecimento e Políticas PúblicasTema da Semana

Uso das TICs diminui abismo digital entre nações ricas e pobres, mas países emergentes ainda estão atrasados

Adriana Martinelli, Coordenadora da Área de Educação e Tecnologia do Instituto Ayrton Senna

O uso das tecnologias está diminuindo o abismo digital entre países ricos e pobres, segundo relatório da Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês), lançado no início de fevereiro. A pesquisa revela uma maior proximidade nas taxas de inclusão digital entre os países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento à medida que telefones celulares e internet, por exemplo, se tornam mais disponíveis à população. “O mundo emergente, entretanto, ainda está muito atrás”, aponta o relatório.

Nos últimos cinco anos, o total de usuários de telefones celulares praticamente triplicou nos países em desenvolvimento, o que corresponde a cerca de 58% dos usuários de celulares do mundo. "A região da América Latina é responsável pela terceira maior taxa de crescimento no número de celulares. Brasil, México, Argentina, Colômbia e Venezuela são responsáveis por 75% dos novos assinantes da região", afirma o relatório.

De acordo com Adriana Martinelli, coordenadora da área de Educação e Tecnologia do Instituto Ayrton Senna, o uso das tecnologias pode diminuir a exclusão digital e social nos países em desenvolvimento. “O Instituto Ayrton Senna acredita que oportunidades efetivas de inclusão digital garantem a inserção social dos jovens e adultos na sua comunidade e no mercado de trabalho, preparando-os para realizar transformações em qualquer domínio: pessoal, social, político e cultural”.

“Mais do que oferecer o acesso à tecnologia, é necessário desenvolver ações que garantam aos usuários não só o domínio técnico, mas, principalmente, ações formativas que os possibilitem desenvolver competências para usar a tecnologia como ferramenta de aprendizagem, o que implica em: buscar, armazenar, organizar, analisar e disseminar informações na Internet; discutir, criticar e avaliar as informações obtidas em processos interativos e colaborativos on line; desenvolver estratégias de gestão e produção de conhecimento; desenvolver as quatro competências necessárias para a vida: pessoal, relacionais, cognitivas e produtivas”, acrescenta Martinelli.

Beatriz Rizek, Diretora da Rizek Assessoria Cultural

A opinião é compartilhada por Beatriz Rizek, diretora da Rizek Assessoria Cultural, que acredita nos encontros de informática como meio de inclusão digital. “Eventos como a Campus Party precisam ser replicados nesses países, de acordo com a infra-estrutura e as iniciativas locais. Em São Paulo, por exemplo, a Escola do Futuro da USP (Universidade de São Paulo), então sob coordenação científica do professor Fredric Litto, realizou sete edições do Computer Jamboree, a farra da informática, evento similar ao Campus Party, porém, com proposta bem mais modesta, mas foi um início!”.

Para Carlos Seabra, diretor de Tecnologia e Projetos do IPSO (Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos), a internet não diminui a exclusão digital se não for concomitante com outras práticas de investimentos. “A internet em si não diminui a exclusão, assim como lápis e papel ou livros não acabam sozinhos com o analfabetismo. Inclusão digital pressupõe apropriação, pressupõe eliminação de exclusão social. O acesso à internet pode colaborar muito com a exclusão digital e social se for articulado com outras políticas e investimentos, se levar ao engajamento do cidadão no acesso às informações, tornar-se um instrumento efetivo de comunicação, fomentar o protagonismo, engajar jovens, donas de casa, terceira idade, professores, lideranças comunitárias etc”.

Carlos Seabra, Diretor de Tecnologia e Projetos do IPSO - Instituto de Pesquisas e Pojetos Sociais e Tecnológicos

De acordo com o documento da ONU, o uso da internet aumenta cada vez mais, mas países desenvolvidos ainda são responsáveis pela maior parte dos usuários e têm as maiores taxas de penetração entre suas populações. "Em 2002, a disponibilidade de internet em países desenvolvidos foi 10 vezes maior do que em países em desenvolvimento. Em 2006, foi seis vezes maior", informa o relatório.

A UNCTAD revelou que o uso das TICs está se tornando uma prática cada vez mais freqüente no mundo emergente, mas ressaltou que muitas ações precisam ser feitas. Mais investimento dos países em capital humano e infra-estrutura, além da elaboração de melhores regulamentos e leis para a Internet estão entre as recomendações.

Para Beatriz Rizek, a diferença dos números do uso e da penetração da internet entre os países desenvolvidos e os emergentes pode ser diminuída com mais ações do governo. “É preciso que a Câmara dos Deputados aprove o Projeto de Lei 1481/07, que torna obrigatória, até 2013, a universalização do acesso a redes digitais de informação, inclusive à internet, em estabelecimentos de ensino de todo o País, abarcando tanto instituições públicas quanto particulares, da Educação Básica ao ensino superior. A proposta prevê, ainda, a oferta de um computador com acesso à internet em cada turno da escola para cada grupo de dez alunos. Se isto se consolidar, acredito que o abismo digital tenderá a diminuir”.

De acordo com Carlos Seabra, essa distância cairá cada vez mais, dadas as características tanto das novas tecnologias quanto da essência do modelo econômico, que não se sustenta apenas em mercados ricos e nas classes mais altas, levando a disseminar cada vez mais o acesso à internet e aos computadores em todas as classes e países. “Isso, porém, não garante a inclusão digital, como a entendo, pois não basta ‘sentar um pobre na frente do computador’ para que tal ocorra. É necessário trabalhar educação, cidadania e cultura - e nisso a informática e a internet são poderosos ‘cavalos de Tróia’ que podem ajudar a superar as muralhas excludentes da injustiça social e planetária”.

“É fundamental que se somem esforços de políticas públicas, envolvendo ações governamentais, comerciais e do terceiro setor, pois somente as forças do mercado não garantem que não se venha a criar um novo tipo de clivagem, incluindo digitalmente uma parcela dos excluídos e deixando os mais excluídos ainda em uma espécie de apartheid tecnológico. Finalmente, há que se levar em conta também o custo da tecnologia, pois os cartéis de comunicação fazem com que a estreita banda larga no Brasil seja muito mais cara que na Europa ou nos Estados Unidos”, acrescenta Seabra.

 

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TIC BRASIL - Educação, Gestão do Conhecimento e Políticas PúblicasEntrevista

CNPq destina R$ 20 milhões para unir academia
e empresas

José Roberto Drugowich de Felício, Diretor de Programas

O Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) está incentivando a inserção de mestres e doutores nas corporações. A idéia é financiar bolsas de pesquisadores que desenvolvam suas pesquisas dentro de micro, pequenas e médias empresas. Nesse contexto, o conselho lançou o edital Pesquisador na Empresa que destinará R$ 20 milhões para o financiamento das bolsas. As pesquisas devem integrar o programa Recursos Humanos para Atividades Estratégicas em Apoio à Inovação Tecnológica (RHAE-Inovação). A finalidade é colocar mestres e doutores nas empresas para desenvolver atividades de pesquisa tecnológica e inovação. De acordo com o edital, foram selecionadas algumas áreas prioritárias, entre elas setores de semicondutores, software, fármacos, medicamentos e bens de capital, biotecnologia, nanotecnologia, biomassa, energias alternativas, biocombustíveis, energia nuclear e aeronáutica e aeroespacial. Em entrevista exclusiva ao TIC Brasil Educação, o Diretor de Programas Horizontais e Instrumentais do CNPq, José Roberto Drugowich, falou sobre a capacidade das universidades e institutos de pesquisas brasileiros e da importância de incentivar a entrada do pesquisador nas empresas.

TIC - De que forma a iniciativa ajudará as empresas a desenvolverem atividades de pesquisa tecnológica e de inovação?

José Roberto Drugowich - O programa, chamado de RHAE-Inovação, permite às empresas envolver mestres e doutores formados em áreas de interesse da PITCE (Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior) em projetos que as tornem mais competitivas. Os projetos devem ser inovadores e são analisados por especialistas dos diversos setores. Agindo dessa forma, o MCT/CNPq facilita a inserção de pesquisadores nas empresas ao mesmo tempo em que apóia o desenvolvimento dos melhores projetos.

TIC - Qual a importância de unir academia e indústria?

José Roberto Drugowich -
A competência instalada em nossas universidades e institutos de pesquisa (ICTs) é apreciável. A capacidade de formação de recursos humanos qualificados no sistema de pós-graduação brasileiro supera as necessidades da academia. Ao mesmo tempo, o interesse das empresas em inovar cresceu muito e para isso elas dependem de pessoal bem treinado e ligado aos grupos de pesquisa das ICTs. É uma combinação que deu certo fora e que agora começa a dar resultado aqui.

TIC - Nos países desenvolvidos as empresas investem mais em inovação que o governo. No Brasil é o inverso. Que obstáculos institucionais e/ou fiscais impedem a indústria brasileira de investir mais em inovação?

José Roberto Drugowich -
Não temos tradição nessa área. Boa parte das empresas aqui instaladas possuía matrizes em outros países e seus centros de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação não eram instalados no Brasil. Além disso, foi somente no final da década passada que começaram a ser criados por aqui mecanismos de incentivo para as empresas que fizessem inovação (o RHAE-Inovação é um deles). Hoje já há um conjunto de medidas, amparados pela Lei de Inovação de 2004, tais como a subvenção operada pelo MCT através da FINEP que pode mudar essa situação.

TIC – Que benefícios as empresas teriam com a entrada de pesquisadores em sua área corporativa?

José Roberto Drugowich -
É inegável que a participação de pessoas com experiência em pesquisa abre novas oportunidades para as empresas que pretendam criar novos produtos ou melhorar os seus. Os laços que essas pessoas têm com os pesquisadores das ICTs também contribuem para o fortalecimento das atividades de P,D &I nas empresas.

 

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TIC BRASIL - Educação, Gestão do Conhecimento e Políticas PúblicasArtigo

Inclusão Escolar: De onde veio esta idéia?

Alba Maria Lemme Weiss*

Alba Maria Lemme Weiss, pedagoga, psicóloga e mestre em educação, com atuação em psicopedagogia clínica, educação especial e informática educativa

O processo de Educação Inclusiva vem sendo construído a partir de diferentes movimentos sociais de direitos humanos, de educação e de diversas associações de portadores de necessidades especiais tanto no Brasil quanto no mundo. Esses movimentos buscaram, ao longo do tempo, redefinir as formas como os deficientes eram entendidos e tratados. Da antiguidade à era moderna essas pessoas sofreram diferentes formas de segregação, tendo o paradigma da institucionalização como forma de sustentação de seu atendimento por quase 500 anos.

No século XX foi tecido o movimento de integração, sustentado pelo paradigma de serviços, chegando-se finalmente na década de 1990, ao movimento da inclusão que vem sendo sustentado pelo paradigma de suportes. Neste último, cabe à sociedade construir-se de forma inclusiva, acolhendo a todas as pessoas, criando os suportes necessários a todos. Internacionalmente, a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, já defendia o “Direito de todas as pessoas à educação”.

Em 1978, o Informe de Warnocksistematizou a terminologia de “necessidades educativas especiais”, dando ênfase no problema de aprendizagem e nos recursos educacionais necessários para resolvê-los. A Declaração Mundial de Educação para todos, de 1990, na Tailândia, tratou do compromisso em garantir o atendimento às necessidades básicas de aprendizagem a todas as crianças, jovens e adultos. A proposta de Educação Inclusiva foi sistematizada pela primeira vez na Declaração de Salamanca, em 1994, que dizia: “Todas as escolas devem acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, emocionais, lingüísticas ou outras”.

No Brasil, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 208, garante o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. A LDBEN – lei n. 9394/96, dedicou um capítulo, o número V, que diz: “Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”.

Finalmente, as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, publicadas na resolução no. 2, de 11 de setembro de 2001, do CNE/CEB, definem normas a serem seguidas pelos sistemas de ensino tendo como base toda a discussão e legislação sobre Educação Inclusiva.

A educação especial sendo definida como uma modalidade de educação escolar, garante que os alunos com necessidades educativas especiais tenham garantido o acesso e a permanência em todas as etapas da educação básica. A educação, dentro do contexto da Educação Inclusiva, supõe o estabelecimento de algumas condições básicas, sendo uma das principais, a transformação do meio escolar. Transformação no currículo e nas condições de formação e trabalho dos profissionais de educação. Mudanças também no contexto da sala de aula, nas formas de trabalhar e entender a aprendizagem que deve ser considerada como um processo que envolve a interação entre o professor, o aluno e os objetos da aprendizagem.

* Alba Maria Lemme Weiss é pedagoga, psicóloga, mestre em educação, professora universitária da UNESA/Petrópolis, com atuação em psicopedagogia clínica, educação especial e informática educativa. Co-Autora do livro "A Informática e os problemas escolares de aprendizagem", Ed. DP&A, 1999.

 
 
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TIC BRASIL - Educação, Gestão do Conhecimento e Políticas PúblicasPor Dentro

Ministro defende educação como política de Estado para o desenvolvimento do país

Fernando Haddad, ministro da Educação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, reiterou, na sexta-feira (15), em Montes Claros, norte de Minas Gerais, que o regime de cooperação entre estados, municípios e a União é condição fundamental para o sucesso do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). A revelação foi feita para mais de 200 prefeitos da região norte mineira. “Não é com programas regionais ou estaduais que vamos alcançar os resultados que pretendemos. Temos de nos valer dos exemplos de países como a Coréia do Sul e a Irlanda, que passaram a tratar a educação como política de estado, não de governo”, disse o ministro. “Por isso, alcançaram os resultados que os colocam entre os mais desenvolvidos do mundo”. Haddad destacou ainda o papel da União, previsto na Constituição Federal, de equalizar oportunidades educacionais. Ele explicou que o PDE reflete a preocupação em ordenar o território brasileiro no mapa educacional. “Precisamos diminuir as diferenças regionais para que esse direito fundamental esteja assegurado”, ressaltou. O prefeito de Montes Claros, Athos Pereira, aderiu ao plano de metas do compromisso Todos pela Educação e aconselhou os municípios que ainda não aderiram ao plano a fazê-lo. “Foi um plano muito debatido junto à sociedade civil. Agora, em parceria com o governo federal, queremos multiplicar os bons resultados na educação da nossa cidade”, afirmou.

MEC muda processos de regulação de cursos

O Ministério da Educação mudou o processo de regulação de cursos da educação superior. Todos os processos de instituições de educação superior pública e privada devem passar pelo Sistema e-MEC, que desde o ano passado funciona como projeto-piloto e que desde o início deste ano está em plena atividade. A mudança está baseada na Portaria Normativa nº 40/2007, que extingue a tramitação de documentação física nos processos de regulação da educação superior. De acordo com o coordenador de Fluxos e Processos de Educação Superior, Rubens Martins, o sistema eletrônico resulta em maior agilidade e transparência na tramitação desses processos. “Assim, toda documentação exigida para instruir os processos de autorização, reconhecimento, renovação de reconhecimento e de credenciamento de IES deve ser encaminhada exclusivamente via sistema eletrônico, fazendo com que a instituição possa acompanhar o seu processo”, destacou. Segundo Martins, a portaria também apresenta mudanças conceituais e operacionais muito positivas, entre elas as alterações em estatutos ou regimentos das instituições, propiciando uma maior autonomia, tendo como contrapartida um aumento de responsabilidade, uma vez que qualquer alteração, mesmo que ainda não tenha sido analisada pelo MEC, deve estar submetida às normas vigentes da educação superior e, em nenhuma hipótese, deve gerar prejuízo para os estudantes.

Universidade Aberta do Brasil se fortalece com novo grupo de docentes

Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de Educação a Distância do MEC

Em continuidade ao processo de consolidação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), o Ministério da Educação libera a contratação de mais 40 professores, destinando uma vaga docente adicional a cada uma das 40 universidades federais envolvidas no programa. A contratação, prevista na autorização de provimento de 2.280 vagas, publicada no Diário Oficial da União do dia 28 de dezembro de 2007, deve acontecer até 05 de julho deste ano. Destinada principalmente à capacitação de professores da rede pública, a UAB tem o objetivo de levar o ensino superior a municípios onde a oferta não existe ou é insuficiente para atender à população. Atualmente, o sistema atende a 40 mil estudantes em 157 cursos, em 291 pólos de apoio presencial. Neste ano, 271 novos pólos foram selecionados, totalizando 562, que terão cerca de 100 mil alunos. Até 2010, a estimativa é ampliar o número de pólos para 830, com uma estimativa de 350 mil estudantes. O secretário de Educação a Distância, Carlos Bielschowsky, define a UAB como “um esforço liderado pelo MEC, em parceria com as universidades públicas, governos estaduais e municipais, para levar educação superior de qualidade aos mais distantes municípios do Brasil”. O sistema retrata, segundo ele, “um novo momento da educação brasileira, a união de todos em torno do ideal de oferecer à população uma escola pública de qualidade”. Para o secretário de Educação Superior, Ronaldo Mota, a UAB é a principal ponte entre a educação superior pública e a educação básica, ao promover a formação de professores, “tanto docentes em atividade sem preparação específica, como também profissionais altamente qualificados”.

Falta de professores é a principal preocupação do Conselho da Educação Básica

Dilvo Ristoff, diretor de educação básica presencial da Capes

Na primeira reunião de trabalho do Conselho Técnico Científico (CTC) da Educação Básica, os 30 conselheiros receberam informações detalhadas sobre os principais programas do Ministério da Educação que tratam da formação de professores. O panorama oferecido pelo MEC mostrou do número de alunos do ensino médio, nove milhões, ao déficit de professores nas dez áreas do conhecimento. Na disciplina de física, por exemplo, faltam 56 mil professores para as turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental e para o ensino médio. Sobre a educação superior pública federal, o MEC fez um retrato da expansão a ser consolidada até 2010 e mostrou como funciona a Universidade Aberta do Brasil (UAB), além do recém criado sistema de bolsas de estímulo à docência, que visam incentivar a formação e qualificação das licenciaturas. O diretor de educação básica presencial da Capes, Dilvo Ristoff, apresentou ao CTC as principais estatísticas da educação básica sobre a relação aluno, professor e falta de professor. Dados do censo escolar indicam que o ensino médio tem nove milhões de alunos, o que dá uma relação de 36,7 alunos por turma, e que para atender todas as áreas do conhecimento faltam 246 mil professores. A falta de professores é mais crítica nas disciplinas de física, química e matemática. Os dados da Capes mostram que nos últimos 15 anos, as universidades formaram 110 mil professores de matemática, mas apenas 43 mil estão no magistério; no caso da física, nos últimos 15 anos, as instituições formaram 13 mil, mas atuam no magistério apenas 6.106. Dilvo Ristoff também mostrou que os altos índices de evasão constituem problema nas licenciaturas. Dos que ingressaram na faculdade de física nos últimos cinco anos, 41% concluíram o curso e em matemática, 65,5%. Além da falta de professores, da evasão dos alunos e como resolver isso, o CTC também se preocupa com a idade dos professores em exercício. Segundo a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Vieira, a idade dos professores que estão nas salas de aula está na faixa de 40 a 50 anos, o que significa que a juventude não está interessada no magistério como carreira.

Novo desafio da Capes é elaborar políticas de formação para professores da educação básica

Jorge Guimarães, presidente da Capes

Tomou posse os novos integrantes do Conselho Superior da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação), na semana passada, com o desafio de ajudar a instituição a cumprir sua nova missão, que é a de formular políticas para a formação de professores da educação básica, além da manutenção da pós-graduação. Presente à cerimônia, o ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou a importância da Capes no processo de melhoria da educação básica no Brasil. Haddad afirmou que o MEC está investindo na gestão, no planejamento, na avaliação e financiamento de três mil municípios e 25 mil escolas públicas que obtiveram indicadores educacionais abaixo da média nacional. “Até o segundo ano de lançamento do PDE (Plano Nacional de Educação), vamos enviar recursos técnicos e financeiros diretamente para as escolas. Mas tudo isso não funcionaria se a Capes não assumisse a tarefa da criação do Sistema Nacional de Formação do magistério”, disse. O Conselho Técnico Científico da Educação Básica, que também foi empossado, na quinta-feira, irá preparar o plano do Sistema Nacional de Formação. O sistema vai tratar de temas como os cursos de licenciaturas, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), entre outros. Para o presidente da Capes, Jorge Guimarães, esta é uma época especial para o MEC e para a Capes. “Estão sendo empossadas diversas personalidades brasileiras que vêm compor com o esforço da equipe do ministro Fernando Haddad. Isso completa essa tarefa de ter a educação como prioridade máxima do governo do presidente Lula. Portanto, é um prazer muito grande receber todos, especialmente porque temos representantes da sociedade de tão elevado nível e competências”, afirmou. O novo conselho será integrado por importantes nomes da ciência brasileira que representam a comunidade acadêmica. O setor empresarial e industrial também ganha força com a nomeação de dois representantes: o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando de Queiroz Monteiro Neto, e o presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, que passam a compor o conselho.

Mobilização da sociedade foi o tema principal do encontro de comunicadores com o ministro da Educação

Cerca de 50 comunicadores da região Centro-Oeste reuniram-se, na segunda-feira (18), no Ministério da Educação, para conhecer melhor as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e discutir medidas para mobilizar a sociedade, a fim de mudar a realidade educacional do país. Este é o quarto encontro regional dos comunicadores, resultante de iniciativa do MEC e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e de Televisão (Abert). “Estas ações (do PDE) precisam do envolvimento das famílias”, disse o ministro Fernando Haddad, durante o encontro. Na visão do ministro, o papel dos comunicadores — especialmente no interior do país, onde as rádios locais têm grande impacto na comunidade — é fundamental para que mães e pais conheçam as políticas educacionais e acompanhem a vida escolar de seus filhos. “No dia em que todo pai e toda mãe souber o que significa o Ideb, então a revolução na área da educação estará feita”, enfatizou Haddad, referindo-se ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica que mede, numa escala de zero a dez, a qualidade da educação das redes de ensino e de cada escola da rede pública. Na visão de Haddad, o contato direto e familiar do comunicador local pode ajudar a educação a se tornar um valor social, de maneira que as famílias participem do dia-a-dia escolar, se informem sobre as políticas públicas e cobrem dos dirigentes locais resultados positivos. “Nosso papel é ser transparente, divulgar todos os dados e deixar que a sociedade decida de quem é a responsabilidade”, ressaltou. O MEC espera que os comunicadores ajudem na tarefa de criar uma cultura de mobilização da sociedade e de responsabilização dos dirigentes. “Os pais precisam saber se o filho fez o dever de casa, se o laboratório de informática está funcionando, como está a conservação do livro didático ou se o dinheiro do transporte escolar e da merenda estão bem empregados”, exemplificou o ministro.

Espírito Santo terá mais nove escolas técnicas até 2010

A expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica vai contemplar o Espírito Santo com mais nove escolas técnicas. Em 2010, o estado terá 16 instituições, que oferecerão desde cursos gratuitos de qualificação até doutorado. O Ministério da Educação está investindo R$ 45 milhões para construir e equipar as novas unidades de ensino. Quando estiverem em pleno funcionamento, terão sido criadas mais de dez mil vagas no estado. Nesta terça-feira, 19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Fernando Haddad, visitaram a escola de Cachoeiro de Itapemirim. Lá, estudam 650 alunos nos cursos de eletromecânica, rochas ornamentais e informática. Em todo o país, o investimento do MEC é de R$ 750 milhões para criar mais 150 unidades de educação profissional e tecnológica. A meta é chegar a 2010 com 354 escolas técnicas e 500 mil vagas. Hoje há 173 mil vagas na rede federal. Previstas na primeira fase do plano de expansão, duas escolas capixabas, em São Mateus e em Cariacica, ainda estão em obras. Mas funcionam em instalações provisórias. Em janeiro, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Espírito Santo deu início aos processos de implantação de mais sete unidades, que fazem parte da segunda fase do plano.


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