Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
 

Inovação na educação inovadora


Quando todo mundo achava que a tendência do ensino universitário seria ampliar-se para titulações inimagináveis, acima do doutorado, já que o nome pós-doutorado não define nada mais que uma tarefa depois do doutorado, o MIT – Massachusetts Institute of Technology / Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Estados Unidos – muda radicalmente a ideia de que a sociedade do conhecimento exige, apenas, ciência e tecnologia em um modelo de educação complexa com base nos padrões de educação presencial e sob a ordem de degraus curriculares.

Através da internet, todo aquele que tiver domínio da língua inglesa, independente do grau de educação ou estágio de escolarização, terá acesso a uma rede de cursos a distância com o objetivo de difundir o conhecimento especializado. O MIT é uma universidade-referência em qualidade de ensino, inovação e produção de patentes. Um curso que tenha a chancela do MIT, abre portas a outras universidades e ao mercado de trabalho.

Antes de seguir, vale repassar a relação dos Estados Unidos com a educação e o que pode haver, aí, que antes era uma expectativa restrita aos americanos e, agora, aberta à humanidade. Depois da Segunda Guerra Mundial, uma decisão de Estado ofereceu bolsa de estudos de nível universitário a todos os cidadãos e cidadãs americanos que estiveram na guerra, independe do grau de escolarização anterior.

A resposta foi imediata, criando inúmeros engenheiros, médicos, farmacêuticos, biólogos, entre outros profissionais. Em uma década, os Estados Unidos já tinha mais gente no setor de serviços que na indústria. No final dos anos 1960, com tantos diplomados de nível superior e pós-graduados, uma decisão de Estado determinou que a Secretaria de Defesa fosse a promotora das bolsas de estudos para a formação de PhDs. Quando o país entrou nos anos 1970, o setor de conhecimento já era expressivo e representava uma parte decisiva da riqueza do país. A educação, como questão de segurança de Estado.

A decisão do MIT não é um retorno aos cursos abertos e livres que, em geral, não são bem recebidos como parte da boa educação e reconhecidos para atingir outros degraus escolares. O que o MIT está oferecendo é de outra ordem: é uma revisão no modelo de educação que existe até hoje e vai usar a internet para chegar a um modelo universal de formação, inicialmente, em língua inglesa. Uma inovação na educação inovadora. Porque há mais gente disposta a se tornar bem informada, conhecer e estudar próxima a alguma máquina conectada à internet que procurando o modelo de educação formal e presencial.

A educação da sociedade do conhecimento tem como princípio a inovação e o foco em ciência e tecnologia. Trata-se de uma educação complexa, no sentido de que representa degraus de conhecimento diretamente associados a inovações e práticas aplicadas. Mas a formação de capital e acumulação de riqueza mudaram. Não se baseiam mais na exploração fabril, nem em uma conta que toma por base o salário no conjunto. Patentes, direitos autorais e industriais, franquias, licenciamentos, estão na base desse novo estágio da sociedade. Se os modelos de trabalho subsistem, os modelos de educação estão ruindo, se não associados à inovação, à ciência, à tecnologia e ao uso dos acessos digitais. Logo, o modelo de trabalho vai mudar, as formas de compensação e troca mudarão.

Toda uma geração emergente tem aprendido a aprender e a trocar conhecimento através da internet, dispensando os agrupamentos presenciais. Aprendeu a aprender e interagir de qualquer lugar no mundo, fortalecendo a ideia de que o poder do conhecimento está no fato de que ele se descola de um lugar para uma ideia. A ideia do MIT é que a educação é um universo sem fronteiras e pode ser adquirido por qualquer pessoa, em qualquer lugar.

O modelo é simples, embora seja apenas um começo: se consegue chegar aos sites do MIT, fazer sua inscrição e aceitar as formas de aprendizado e interação, encontra-se em um nível cognitivo que dispensaria o modelo arbitrário de aprendizado que, pelo menos entre os brasileiros, antes de levar à universidade, leva a uma maratona cujo objetivo não é avaliar o conhecimento, mas evitar que todos, na idade adequada de acesso ao nível superior, cheguem ao conhecimento de nível superior. A educação deixa de ser um plano de degraus para ser uma referência com base na interação e nos resultados de um conhecimento adquirido através de interação.

 
*Josimar Henrique é Presidente da Hebron Farmacêutica - www.hebron.com.br e Diretor Temático de Assuntos Parlamentares da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades - ABIFINA - www.abifina.org.br.
 E-mail: presidencia@hebron.com.br.
 
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