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Razões dos negócios de Estado |
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Não estou ressentido. Talvez nem sinta inveja, porque não é esta a questão. Só estou me perguntando por que as outras potências e outros países nem tão potências estão deixando o Brasil se tornar o maior produtor de carne bovina e frango, açúcar e café, enquanto fazem investimentos extraordinários em alta tecnologia e tecnologias, como farmoquímicos, fármacos biológicos, nanotecnologia, que garantam soberania nacional. Saberia o BNDES e fundos de pensão de empresas estatais de algum segredo sobre consumo de carne em curto, médio e longo prazo que as grandes potências desconheçam? Da mesma maneira me pergunto por que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI, possui um orçamento maior que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, MDIC, se o país nem é lá essas coisas em CT&I, preferindo a via da divulgação científica, que deve ter aqui sua importância, em um país cujas performances em educação avançam a passos tão lentos e em nada parecem fazer jus às expectativas de que, de acordo com os interesses de defesa do Estado brasileiro, há pouco mais de duas dezenas de tecnologias que devem ser entendidas e dominadas. Com divulgação científica é que não é, atestam alguns amigos meus, cientistas brasileiros, em especial nas áreas de farmoquímicos e biotecnologia. Com divulgação científica é que não é. Seria a mesma coisa que levar às comunidades cartazes ensinando a jogar futebol, dançar samba, sem ter campos, bolas, sem ter instrumentos. Parece que assim não funciona. Em compensação, dominamos o mercado de carne bovina e frangos. Não me perguntem se cismei com o negócio de carnes brasileiras e com a criação de uma big brasileira deste setor. Não é nada disso. Não cismei, muito pelo contrário. Não é de hoje que recito as grandezas nacionais do país, incluindo o potencial agropecuário. Só fico me perguntando por que o BNDES e os fundos de pensão das estatais não se interessam por indústrias farmacêuticas, de biotecnologia, de química fina, de tecnologias que estão entre aquelas consideradas estratégicas para a soberania do país. Ou por que não se empenham em apoiar algum conglomerado nacional que possa dominar a computação em nuvens, montar os megas centros de informação no país – quero dizer, grupos nacionais, não soluções estatais. Se o país precisa de médicos, de engenheiros, de professores de biologia, química e matemática, não seria mais valioso à nação investir na formação destes quadros, em lugar de usar um naco grandioso de CT&I em divulgação científica? Está bem. Vamos aceitar que divulgação científica seja algo para estimular a ciência no país, mas não seria proveitoso ir direto ao assunto: melhorar o ensino médio, reclassificá-lo, de acordo com interesses, sem as dispersões e o acúmulo que parecem insuportáveis e perda de tempo, e praticamente iniciar aí um modelo, ao mesmo tempo de preparação técnica e universitária, sem que sejam duas etapas? Eliminando de vez as questões partidário-ideológicas, mas gestando um programa do Estado brasileiro. Não há nenhum erro em um país investir na formação de uma big indústria de carnes. Uma multinacional brasileira do setor, atuando em mercados como América do Norte e Europa. Fico impressionado é com a facilidade que um negócio tão vulnerável possa ter de acesso a um clube como BNDES e fundos de pensão de estatais, enquanto as indústrias nacionais de medicamentos, por exemplo, só chegam lá por portas laterais, coladas a um modelo de vigilância sanitária e de aprovação de pesquisas médico-farmacêuticas desanimadoras e mais reais que em qualquer outro reino. Duas boas histórias para voltar ao assunto. |
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*Josimar Henrique
é Presidente da Hebron Farmacêutica
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www.hebron.com.br e
Diretor Temático de Assuntos Parlamentares da
Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia
e suas Especialidades - ABIFINA -
www.abifina.org.br.
E-mail: presidencia@hebron.com.br. |
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